Comunicado do Movimento Futebol Limpo sobre o Maracanã

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Todos que amam o Futebol estão tristes com a situação em que se encontra o Maracanã. Em toda a sua grandiosa história, nunca o maior estádio do Brasil viveu uma época tão dura.

Quando foi fechado em 2010, a promessa do Governador Cabral era de modernização, segurança e adequação aos padrões FIFA. Uma outra promessa foi feita, esta encheu de esperança os torcedores. Cabral prometeu que os clubes, se assim desejarem, teriam a oportunidade de administrarem o Maracanã.

À medida que as obras avançavam, assistimos uma descaracterização completa de um bem público, tombado pelo IPHAN. Aos poucos fomos apresentados a um estádio completamente novo, com anel único de arquibancada, redução das dimensões do campo e uma nova e cara cobertura. Tudo em nome da Copa do Mundo e seu caderno de convenções.

Custo total: 1,4 bilhão de reais.

Em maio de 2013 o estádio estava praticamente pronto. A empresa IMX, do empresário Eike Batista fez um estudo de viabilidade econômica para a sua privatização e o edital de licitação para concessionárias interessadas foi publicado. Os clubes foram proibidos de participar.

Dois consórcios foram formados e entraram na disputa. O vencedor era liderado pela empreiteira Odebrecht, a mesma que liderou o consórcio de obras do Maracanã. A IMX também tinha participação.

O edital previa a demolição do Célio de Barros, do Parque Aquático Júlio Delamare, da Escola Municipal Friedenreich e do casarão do antigo Museu do Índio. Tudo isso ia virar Estacionamento e Shopping Center sob a tutela do Consórcio Maracanã SA.

A sociedade civil protestou. O governo recuou e impediu essas modificações no Complexo. O Consórcio não lutou contra. A Odebrecht era a maior parceira para as obras em todo o Estado do Rio de Janeiro. Um prejuízo com o Maracanã seria recompensado por lucros espalhados em outros canteiros de obras.

Numa sinuca, Flamengo e Fluminense fizeram contratos ruins com os novos administradores. A maior parte das rendas iriam para o Consórcio. Lucro apenas com casa cheia e nem sempre se lota um estádio gigantesco como o Maracanã, especialmente no futebol brasileiro, com todos os problemas que ele enfrenta e aos quais não poderíamos dar foco neste neste presente texto.

Desde a inauguração o Maracanã é um elefante branco maquiado para o circo.

Em junho de 2015, Marcelo Odebrecht foi preso pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Antes, Eike Batista tinha ido à falência e vendido sua parte para a própria Odebrecht. Apenas a empresa AEG, multinacional especialista em operação de estádios, se mantinha com a pequena parcela restante. 95% do consórcio afundou com a condenação por 19 anos do presidente Marcelo. Em janeiro de 2016 quase todos os empregados do Consórcio Maracanã AS foram demitidos.

O estádio atualmente vive como casa de festas. A próxima abertura dos portões será para o show da banda Coldplay. Futebol apenas nas Olimpíadas do Rio em agosto.

O modus operandi do Governador Pezão é idêntico ao do seu antecessor e padrinho político. Com a bomba nas mãos, Pezão prometeu nova licitação depois da entrega do COI. E de novo parece que os clubes estão sendo alijados.

Pois nos últimos dias veio à tona a notícia de que o Governo Estadual articula para que a BWA compre a parte da Odebrecht no negócio.

O que faz o Senhor Governador Pezão achar que a BWA, empresa cuja rápida pesquisa na internet levanta assombro, seja melhor do que os clubes de futebol?

Odebrecht, BWA, IMX, entre outras empresas que aparecem e desaparecem. O que elas tanto contribuíram para o futebol brasileiro para ganharem tamanho merecimento? Por que, Governador, a BWA pode administrar o nosso Maracanã?

O Maracanã foi construído com dinheiro do povo carioca, reformado por três vezes com o dinheiro do povo carioca. Qual o motivo, Senhor Governador Pezão, para que a BWA ganhe de bandeja o direito de ser a dona do Maracanã?

Espero que Vossa Excelência responda estas questões de forma clara.

Também vamos pressionar todos os vereadores e deputados do seu partido, o PMDB, e da sua base governista.

O Movimento Futebol Limpo entende que um novo edital de licitação deve ser publicado. E que os clubes possam exercer os seus direitos de parte interessada.

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