Pequeno e atual retrato das Federações do Rio, São Paulo, Minas e Espírito Santo

 

FFERJ
Rubens Lopes é médico de formação. Tem 70 anos e foi presidente do Bangu Atlético Clube e, depois de anos compondo os quadros da FFERJ, conseguiu chegar ao cargo de presidente, com a morte de Eduardo Vianna, o Caixa D’água. Este último ficou 21 anos no poder. Rubinho já dura 10 anos. O Campeonato Carioca hoje é um produto em franca decadência, os clubes pequenos do Rio no máximo jogam a série B do campeonato brasileiro. Ano passado, em todas as divisões nacionais um clube carioca foi rebaixado. É contra a Primeira Liga, a qual chamou de anarquista e milícia. Seu último ato foi o veto às datas de Fla e Flu no torneio. A Federação do Rio de Janeiro é declaradamente desafeta do Fluminense e Flamengo.

FES
Gustavo Vieira é administrador e trabalha desde 2008 na federação capixaba. Começou como vice-presidente de relações exteriores e foi ganhando espaço até que, em 2015, assumiu a presidência no lugar do deputado federal Marcus Vicente, que perdurou 21 anos no poder da entidade e é o mesmo que assumiu interinamente em dezembro de 2015 o comando da CBF.
Os grandes clubes capixabas estão agonizando há muito. E o estadual capixaba atualmente não tem relevância alguma

FPF
Após a renúncia de Eduardo José Farah (15 anos no cargo) em 2013, Del Nero, advogado e ex-presidente do TJD, assume a Federação Paulista de Futebol. Como praxe entre os cartolas de federações, também teve longo mandato: apenas em 2014 sai da entidade e mesmo assim por assumir a presidência da CBF, após renúncia de Marin. Nesta dança das cadeiras, com a saída de Del Nero, Reinaldo Carneiro Bastos assume. Dono da Milclean, empresa de materiais de higiene que esteve envolvida no centro de uma polêmica na Copa São Paulo de 2009, por conta do excesso de jogos transmitidos pela televisão com placas de publicidade da sua firma. E Bastos confirmou participação na definição das grades de emissoras de TV, sem constrangimento algum.
O presidente da FPF também é tesoureiro da Sindicato Nacional das Associações de Futebol (sim, isso existe!). Em 2012 a “Sindafebol” recebeu 6,2 milhões de reais do Ministério dos Esportes para cadastrar as torcidas organizadas. Sem qualquer tipo de licitação. Também é íntimo da CBF. Ricardo Teixeira por muitos anos confiou-lhe a tarefa de cuidar da Série B do Brasileirão.

FMF
A entidade que controla o esporte em Minas Gerais tem o comando de outra figura que nunca chutou profissionalmente uma bola. Castellar Guimarães Neto foi eleito para a Federação Mineira de Futebol em junho de 2014, aos 31 anos. Torcedores do Cruzeiro acusam Castellar, por fortes ligações com o Atlético Mineiro, de ser parcial. Verdade ou não, expõe outro problema no sistema federativo de controle do futebol nos estados: o conflito de interesses quando os clubes precisam ser subservientes a um órgão acima deles. Quando os próprios clubes se reúnem em torno de seus interesses comuns de forma horizontal, sem hierarquia, conflitos dessa ordem naturalmente são extintos.

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AMANHÃ: VAMOS FALAR DAS FEDERAÇÕES DO RIO GRANDE DO SUL, SANTA CATARINA E PARANÁ.